Crendices
Juninas
Durante o mês de junho, principalmente, em todos os
pontos do Brasil - onde se acendem fogueiras, onde as quadrilhas
e o quentão aparecem -, nas comemorações
juninas, é comum se ver uma série de usos e
superstições, ligados principalmente ao casamento,
especialmente próximo ao dia 13 de junho, o dia do
Santo Casamenteiro.
De uma edição da Revista da Academia Cearense,
de 1910, retiramos alguns exemplos desses costumes:
As moças que querem casar roubam a Santo Antonio o
Menino Jesus que traz no braço, e devolvem-no sob segredo
quando noivas. Outras amarram o Santo ou o põem de
cabeça para baixo.
Em noite de São João, passa-se um ramo de manjericão
na fogueira e atira-se ao telhado; se na manhã seguinte
o manjericão ainda está verde, o casamento é
com moço; se murcho, é com velho.
Em noite de São João, faz-se pirão com
um pouco de farinha e põe-se-lhe dentro um caroço
de milho; com os olhos fechados divide-se o pirão em
3 porções e se coloca uma na porta da rua, outra
sob o leito e a terceira na porta do quintal; se for encontrado
o caroço de milho na porta da rua, é sinal de
próximo casamento; se sob o leito, o casamento é
demorado; se na porta do quintal, não há possibilidade
de casamento.
Em noite de São João, introduz-se numa bananeira
uma faca que ainda não tenha servido; no dia seguinte
aparecerá na faca a inicial da noiva ou do noivo.
Em noite de São João, põe-se uma bacia
ou tijela com água e olha-se dentro; se não
se vê a figura é que se morrerá nesse
mesmo ano. Outros fazem a experiência olhando para o
fundo de uma cacimba.
Em noite de São João, duas agulhas metidas numa
bacia de água indicam casamento se as agulhas se ajuntarem.
Em noite de São João, escrevem-se em papelitos
os nomes de várias pessoas, enrolam-se os papelitos
e põe-se vasilha com água; o papel que amanhecer
desenrolado indicará o nome da noiva ou do noivo.
Em noite de São João, enche-se a boca de água
e fica-se detrás da porta da rua; o primeiro nome que
se ouvir é o do noivo ou da noiva.
Em noite de São João, tomam-se três pratos:
um sem água, outro com água limpa e o terceiro
com água suja; quem faz a experiência aproxima-se
com os olhos vendados, e põe a mão sobre um
deles; o prato sem água não dá casamento;
o de água suja indica que o casamento será com
viúvo, e o de água limpa, casamento com solteiro.
Em noite de São Pedro, o experimentador, tendo jejuado
no dia, escolhe bocados de cada prato das refeições
e guarda-os; à noite, prepara uma mesa no quarto de
dormir e nela coloca esses bocados, como se esperasse algum
conviva. dorme, e em sonhos vê o noivo ou noiva sentando-se
à mesa.
Em noite de Santo Antonio ou de São João, põe-se
uma moeda de vintém na fogueira e tira-se para dá-la
no dia seguinte ao primeiro pobre que aparecer; o nome do
pobre é o nome do noivo.
Em noite de São João, dão-se nós
nas quatro pontas do lençol, tendo-se previamente escrito
nelas os nomes de quatro pessoas queridas, mas os nós
sendo bem frouxos; ao amanhecer, o nó que estiver desmanchado
indicará o nome do futuro esposo ou esposa.
Em noite de São João, põe-se um pouco
da clara do ovo num copo contendo água; no dia seguinte
aparece uma igreja (casamento) ou navio (viagem próxima)
etc. etc.
Em noite de São João, passa-se sobre a fogueira
um copo contendo água, mete-se no copo - sem que atinja
a água - um anel de aliança preso por um fio,
e fica-se a segurar o fio; tantas são as pancadas dadas
pelo anel nas paredes do copo quantos os anos que o experimentador
terá de esperar por casamento.
Para uma pessoa conhecer se está próxima a casar,
planta três dias antes de São João três
cabeças de alho; quantas cabeças de alho aparecerem
nascendo no dia de São João, tantos serão
os anos de espera do casamento; se nenhuma aparecer, é
que a pessoa não casará.
Quem no escuro em noite de São João tirar duma
pimenteira uma pimenta verde casará com moço;
se encarnada, casará com velho.
Além destes exemplos, registrados principalmente nos
Estados do Nordeste, encontram-se muitos outros, como as sortes
ou adivinhações de São João -
que são um atrativo para as moças, que esperam
à meia-noite para fazer suas consultas.